A igreja brasileira está servindo ao Dinheiro e não a Deus

Neste momento, escrevendo este texto, estou na minha segunda viagem missionária em Israel. Um pouco mais do que em outros lugares, estar em Israel me faz refletir a respeito de muitas coisas. E uma delas é: o sono espirtitual profundo que as igrejas brasileiras estão vivendo. Gastando rios de dinheiro com propósitos que não estão no Reino de Deus.

Quando digo “igreja brasileira” não me refiro aos prédios (alguns gigantes) que conhecemos como templos, mas estou falando sobre a verdadeira igreja: você!

O que acontece no Brasil

Infelizmente poucos têm a chance de sair do nosso país para conhecer e ter contato com o corpo de Cristo em outras nações. Por outro lado, não e necessário sair para entender uma verdade muito simples: muitos que se dizem cristãos e pregadores da Palavra, só fazem isso por dinheiro.

Esta realidade é dolorosa. Saber que existem milhares de cristãos inocentes que acabam pagando “caro” em um ingresso para o ouvir seu ídolo do mundo gospel pregar o Evangelho que nos foi dado de graça, mas que traz um alto preço que foi o sangue de Cristo na cruz. Quando digo que algo é caro não quero definir um patamar de quanto deve ou quanto não se deve pagar por algo; o valor de qualquer coisa em nossa vida deve ser definido pelo o quanto aquilo nos agrega – se você não é uma mulher, por que comprar um absorvente? Ou se você não é um homem, por que comprar um barbeador elétrico? Entendo que talvez vai querer (ainda) justificar suas razões, mas perceba que se você já comprou alguma coisa sem realmente precisar, desperdiçou seu dinheiro com isso. Quando usamos nosso dinheiro com algo útil (que trará benefícios para nossa vida), podemos dizer então que foi um investimento.

Esses comerciantes do Evangelho ainda justificam seus négocios (agendas) dizendo que apenas aceitam ofertas porque o “obreiro é digno do seu salário”. Triste.

No livro de Lucas, capítulo 9, versículos 1 a 6, nós podemos ler o envio dos Doze para pregar o Reino de Deus. Foi dado a cada um deles o poder e a autoridade para expulsar demônios e curar doenças. Porém algo importante vemos aqui: Jesus manda cada um deles ir sem nada para esta tarefa. O motivo sabemos porquê: o justo viverá pela fé (Hebreus 10:38) e somente com fé podemos agradar a Deus (Hebreus 11:6). Então por que insistem em cobrar (ofertas) pelo mesmo Evangelho que de graça nos foi dado?

O maior problema ainda são os grandes ministérios que insistem cobrar uma “simbólica taxa” para seus eventos (como, por exemplo, convenções) visto que eles têm gastos com pregadores, materiais, brindes alimentações, etc. O que fazem então com os dízimos e as ofertas? Se o valor simbólico fosse realmente para cobrir as despesas do evento, por que (ainda) colher as ofertas? Alguém leu na Bíblia que Jesus cobrou da multidão que o seguia pelos pães e peixes multiplicados? E existem muitos que não entendem esse questionamento ou têm medo de questionar os chefões.

Enquanto isso há diversos povos morrendo por não terem se quer um prato de comida disponível diariamente (alguns comem apenas uma vez por semana). E nos bastidores gastam dezenas de milhares de reais que poderiam ser usados para sustentar outras centenas de famílias durante um ano. O mesmo conceito de gasto e investimento cabe aqui. O que é mais sensato: gastar R$50.000,00 em um evento de um final de semana ou alimentar pelo menos 20 famílias na África por um ano inteiro?

O que deveria acontecer

Há uma gigantesca diferença entre aceitar uma oferta de amor (não importando o seu valor monetário) e dizer qual mínimo de oferta é preciso para pagar o cachê. É possível saber se o coração destes cristãos estão realmente com o coração voltado para Deus ou para o Dinheiro (o motivo para a palavra “dinheiro” estar com sua inicial maíuscula é porque em toda a Bíblia o dinheiro foi o único a ser chamado de Senhor, junto com Deus. Ele é o único capaz de nos dominar. Leia: Mateus 6:24). Para se fazer este teste basta ver se o convidado sai com um sorriso no rosto porque compartilhou o seu amor por Jesus e não lhe dê a oferta. Infelizmente já presenciei um cantor ficar triste com uma grande igreja porque não recebeu sua oferta. Ou outro não saber se a quantia (mais de dois mil reais) que recebeu por duas noites de pregação foi o suficiente.

Não estou dizendo que não se deve dar oferta para um convidado. Eu, por exemplo, sou muitas vezes um destes convidados. Porém, a única necessidade real é a necessidade Bíblica. Em Mateus 10:11-16, Jesus ensina os discípulos para irem e onde forem procurarem alguém para recebê-los. Sendo assim, a única obrigação que uma igreja deveria ter com seus convidados é cobrir os gastos do deslocamento, estadia e alimentações. A oferta é uma maneira de abençoar seus irmãos em Cristo.

A nossa tarefa a partir de agora

Eu não quero causar nenhum escândalo com estas informações. Meu objetivo é tentar mostrar-lhe a necessidade de sabermos a diferença entre o certo e o errado. Saber julgar se algo está sendo abusivo ou não.

Entender se você, como membro de uma igreja, está fazendo parte de um ministério cujo as principais preocupações são com o crescimento físico (grandes templos, etc) e não espiritual é missão sua e não de Deus. A Bíblia nos adverte dos falsos profetas (Mateus 24:10-12).

Verifique se sua igreja faz missões (e me refiro a real missão, não apenas criar um departamento e usar o dinheiro arrecadado para outros fins, como o presente de aniversário do pastor). Vou listar 5 maneiras que você pode fazer isso com a consciência tranquila:

  1. Sua igreja tem trabalhos sociais como, por exemplo, ajudar famílias carentes? Se sim, verifique quantas pessoas foram ajudadas no último mês e veja se o número condiz com o potencial que têm.
  2. Sua igreja tem departamento de Missões? Se sim, verifique o quanto arrecadam mensalmente e quanto deste valor está sendo realmente enviado para os missionários. Pelo menos 50% precisa ser enviado e os outros 50% sendo utilizados para fins que condizem com Missões. Por exemplo: se um missionário precisa vir visitar sua igreja, não há problema algum utilizar os 50% que não estão sendo enviados ou então se querem fazer um congresso missionário, esta porcentagem está aí exatamente para isso.
  3. Falando em congressos missionários, é importante que sejam realmente focados em Missões. Já vi muitas igrejas fazendo este tipo de evento, mas sem propósito ou um objetivo. Sugira, como membro desta igreja, que seu pastor defina um alvo (por exemplo ajudar 10 famílias de missionários em países perseguidos) e veja se alcançaram isso no final do evento. Se foi feito uma oferta especial, verifique após um tempo se o valor arrecado realmente foi usado para o seu propósito.
  4. Sobre ofertas especiais (com um objetivo específico), é importante que você sempre fique atento se estão cumprindo ou se o valor está sendo desviado para outros fins. Mesmo que dinheiro seja desviado para um outro fim dentro da igreja, isso continua sendo errado. Credibilidade é essencial para qualquer área de nossa vida.
  5. Sua igreja está fazendo campanha para construir um novo templo? Não há problema nisso. Muitos ministérios ainda pagam aluguel, estão em templos com a estrutura precária (como não ter espaço suficiente para todos os membros), então é importante se unirem para solucionar estes casos. Agora, se sua igreja quer construir um templo ou fazer uma reforma só para ser melhor que algum outro ministério, aí sim tem um problema. Igrejas não devem ser concorrentes de si mesmas.

Estes foram apenas alguns exemplos para te ajudar entender se está fazendo a coisa certa. É também sempre importante você orar a Deus e perdir discernimento ao Espírito Santo. E se sua igreja não tem feito nada disso até agora, minha maior recomendação é refletir sobre o verdadeiro propósito do ministério o qual faz parte.

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